Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta | PhD em Biotecnologia em Saúde
Professora Universitária | CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada Colunista da Florida Review
Exames clínicos, frequentemente aliados no campo da saúde geral, ganham cada vez mais espaço nos bastidores da estética de excelência. São eles que revelam carências nutricionais, disfunções hormonais, processos inflamatórios e alterações metabólicas que interferem diretamente na qualidade da pele, na eficácia dos procedimentos e na longevidade dos resultados.
Muito além do diagnóstico de doenças, esses exames funcionam como um mapa biológico e nos revelam o local propício sobre o qual qualquer tratamento será aplicado.
É aqui que começa uma virada de chave: estética de verdade não começa com o toque da agulha, começa com o olhar clínico. E esse olhar se amplia, se refina, se faz mais crítico quando entendemos que a pele é o reflexo bioquímico do corpo. Na minha prática, exames como hemograma completo, ferritina, vitamina D, vitamina B12, zinco, perfil lipídico, perfil hormonal, como cortisol e insulina basal, são aliados na anamnese. Eles não apenas orientam o cuidado no plano estético, como ajudam a prevenir falhas terapêuticas que, à primeira vista, poderiam ser atribuídas à técnica ou ao produto,
mas que, na verdade, têm raízes hormonais e metabólicas profundas.
Lembro de uma paciente que chegou com queixa de flacidez e acúmulo de gordura no terço inferior da face. Aparentemente, um caso clássico para bioestimulador. Mas ao investigar em equipe, no perfil hormonal da paciente, foi encontrado níveis elevados de testosterona livre, resistência insulínica e cortisol acima do ideal. Era o retrato de um corpo inflamatório e disfuncional, que jamais responderia com excelência a qualquer estímulo dérmico enquanto o eixo endócrino não fosse modulado.
Outra paciente, na faixa dos 35 anos, incomodada com acne persistente no contorno do rosto, brilho excessivo e textura irregular da pele. Já havia tentado de tudo: skincare, ácidos dos mais diversos, tratamentos em outras clínicas, sem sucesso duradouro. Com uma avaliação mais cuidadosa, percebemos que o que acontecia na pele era reflexo de um desequilíbrio interno, que o corpo vinha tentando sinalizar há tempos. Ao ajustar o protocolo de forma estratégica, cuidando também do que não se via, os resultadoscomeçaram a aparecer de forma mais estável e consistente.
É isso que priorizo para tratar: ir além do que se vê. Olhar para o que a pele expressa como consequência de um sistema interno que precisa de escuta e estratégia. E hoje aciência valida esse raciocínio. Publicações recentes em periódicos como DermatoEndocrinology e Journal of Cosmetic Dermatology reforçam a relação direta entre desequilíbrios hormonais e envelhecimento precoce, flacidez, acne adulta, edema e até falhas em tratamentos com bioestimuladores e preenchedores.
É por isso que, na minha clínica, tratar o paciente sem conhecimento de seu histórico fisiológico é como aplicar um protocolo às cegas, e correr o risco de evidenciar o sintoma, mas ignorar a causa. É o olhar refinado, guiado pela ciência, que diferencia o cuidado comum do cuidado de excelência.
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