Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta | PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Coordenadora de Pós-graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review
Nas últimas semanas, o nome da cantora brasileira Anitta voltou a circular nas redes, não
apenas por sua música ou posicionamento, mas pelo seu rosto. Internautas comentaram
sobre uma possível reversão de procedimentos estéticos, exaltando a “volta do rosto
natural”. Curioso pensar que aquilo que parece natural ainda precisa ser conquistado,
refinado ou, em muitos casos, desfeito.
Esse episódio evidencia um tema delicado e cada vez mais urgente no universo da
estética: a diferença entre harmonizar e transformar.
Como especialista em estética avançada e pesquisadora na área, vejo com frequência a
distorção entre técnica e exagero. A harmonização facial bem-feita não apaga identidades,
não muda expressões, não cria moldes genéricos. Pelo contrário: ela destaca proporções,
equilibra ângulos, reposiciona volumes com leveza e propósito. Seu maior valor está na
sutileza, no minimalismo.
O rosto ideal não é o rosto simétrico, e sim o rosto coerente com a estrutura óssea, com o
tempo vivido e com a linguagem individual de cada paciente. Trabalhar com perfis faciais
exige olhar clínico, conhecimento anatômico e uma escuta estética afinada. Cada paciente
é um projeto único, e a beleza está justamente nessa singularidade.
A tendência, hoje, é clara: estamos saindo do efeito “filtro de Instagram” e voltando o
olhar para resultados atemporais, naturais e sofisticados. A nova estética não é caricata,
ela é inteligente, estratégica e sensível. É o que chamamos de estética de pertencimento:
quando o rosto que a paciente vê no espelho ainda é o dela, só que com mais segurança,
viço e harmonia.
Que a discussão em torno de figuras públicas como Anitta sirva não para julgamento, mas
como reflexão: o que estamos buscando quando procuramos um procedimento estético?
E o mais importante, estamos buscando isso por nós ou pelos outros?
Se for por nós, que seja com consciência, técnica e propósito. Afinal, a estética deve ser
uma aliada na construção da autoestima, não um disfarce dela
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