Por Dra. Leticia Sangaletti
Outro dia escutei essa pergunta em tom de crítica, como se fosse um demérito delegar parte do processo criativo a uma ferramenta, como se fosse falta de talento, de preguiça, ou até mesmo de capacidade. Também vi um post no Instagram que indicava que todo mundo sabe quando um texto é feito pela IA. E outro dia, incluí um travessão numa copy e minha amiga e cliente perguntou: “Não vai parecer escrito pelo ChatGPT?”. E isso me fez pensar muito…
Por um segundo me senti ofendida, pois eu leio e estudo tanto. Tenho tantas referências, trabalho bem minhas habilidades textuais para alguém achar que não tive capacidade de escrever. O texto era meu, totalmente meu. Mas sim, pedi para o ChatGPT revisar e indicar melhorias.
A real é que é bem verdade, quem utiliza a ferramenta com frequência, consegue identificar facilmente o que vem dela, pelos padrões, o tom, as construções estéticas e frasais estabelecidos pelos algoritmos. E talvez pareça mesmo.
Amados por uns e detestado por outros, os aplicativos generativos de IA são facilitadores que recebem desdém, por vezes, e geram acusações: Dá pra saber que foi feito pela IA. E por isso a importância do que seguido venho falando por aqui: use como meio, para dar luz, mas siga autêntico.
Eu sou uma entusiasta da Inteligência Artificial e com frequência uso o ChatGPT, Claude, Gemini. E com orgulho. Por vezes como atalho? Sim. Mas majoritariamente como ferramenta, e não como fim. Ela está ali para me auxiliar, para provocar meu pensamento, não para pensar por mim.
A autenticidade está na intenção e no filtro que aplicamos no mundo antes de transformar uma ideia em linguagem, está no que escolhemos dizer ou silenciar. Quer dizer, usar a ferramenta para melhorar vocabulários, buscar diferentes estruturas e caminhos, e aperfeiçoar o que está sendo feito.
O olhar, a escolha, a emoção, o sentimento, a presença e o storytelling são de quem escreve, mesmo que o texto venha do Chat. E é isso que o torna autêntico. Por isso, use as ferramentas para melhorar e ampliar o seu vocabulário, para organizar teus textos, para ajudar quando precisa. Mas não deixe que ele transforme a tua escrita em algo genérico, como as respostas que todo mundo recebe. (Claro que com o prompt certo, é possível fazer muito diferente!!)
O problema não está nas ferramentas, mas no que fazemos com ela e como a usamos. Use com ética, cuidado e sabedoria. Use como parceiro de escrita, para ampliar possibilidades, não como substituto da sua voz. Deixe as IAs indicarem caminhos, mas escolhas tu se vais à esquerda, direita ou seguir em frente.
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