Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta • PhD em Biotecnologia em Saúde • Especialista em Estética Avançada
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet • Professora Universitária • Colunista da Florida Review
Magazine
Tomar colágeno não é suficiente para aumentar a produção de colágeno na pele. A síntese
dessa proteína ocorre dentro da derme e depende da ativação de células chamadas
fibroblastos, que são responsáveis por produzir colágeno, elastina e outros componentes
estruturais da pele.
Mesmo na forma hidrolisada, o colágeno ingerido por via oral é totalmente degradado em
aminoácidos durante a digestão. Esses fragmentos não chegam intactos à pele e não têm
ação direta sobre os fibroblastos. Por isso, a ingestão de colágeno não é capaz de estimular
sua produção na pele de forma significativa.
A formação de colágeno novo depende da ativação de vias intracelulares específicas
dentro dos fibroblastos. Essa ativação pode ocorrer por estímulos físicos, bioquímicos ou
regenerativos, que atuam diretamente nos mecanismos celulares.
As principais vias envolvidas nesse processo são:
- TGF-β/SMAD – Controla a expressão dos genes que produzem colágeno tipo I e
III. Pode ser ativada por bioestimuladores injetáveis como ácido polilático e
hidroxiapatita de cálcio, procedimentos como microagulhamento e por
exossomos. - MAPK/ERK – Estimula o crescimento e a movimentação dos fibroblastos e
participa da reorganização da matriz da pele. É ativada por fatores de crescimento
como FGF e EGF, presentes em tratamentos como Plasma Rico em Plaquetas
(PRP) e cosméticos bioativos. - PI3K/Akt/mTOR – Regula a sobrevivência e o metabolismo celular, mantendo
o fibroblasto ativo e funcional. Pode ser estimulada por peptídeos e cosmecêuticos
regeneradores. - Wnt/β-catenina – Está ligada à transformação de fibroblastos em
miofibroblastos, que têm maior capacidade de produção de colágeno. Essa via é
ativada por terapias celulares e bioestimuladores. - HIF-1α – Ativada em condições de oxigenação reduzida, estimula genes que
favorecem a regeneração e a formação de novos vasos e fibras. Esse ambiente
pode ser criado por bioestimuladores injetáveis ou técnicas ablativas.
Essas vias podem ser estimuladas de três formas principais:
- Estímulo mecânico, como o uso de microagulhamento, ultrassom microfocado e
radiofrequência; - Estímulo bioquímico, com o uso de substâncias como vitamina C, PDRN,
retinoides, gluconolactona, peptídeos e exossomos; - Estímulo regenerativo, por meio de injetáveis como ácido polilático,
hidroxiapatita de cálcio e skinboosters bioestimuladores.
Além de ativar os fibroblastos que já existem, alguns tratamentos também favorecem a
formação de novos fibroblastos, por meio da ativação de células-tronco ou da reativação
de células envelhecidas. Substâncias como exossomos, PRP, fatores de crescimento e
células-tronco mesenquimais podem reprogramar fibroblastos senescentes e estimular a
formação de novas células funcionais.
Portanto, a produção de colágeno na pele é um processo que depende de sinalização
biológica complexa. Apenas a ingestão de colágeno não é suficiente para ativar esses
mecanismos. Uma abordagem clínica eficaz precisa considerar o funcionamento do
fibroblasto e como estimular de forma correta suas vias de produção.
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