Por Dra. Mônica Martellet
Farmacologista e Esteta | Doutora em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-Graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review
A região infraorbital é, sem dúvida, uma das áreas mais delicadas e reveladoras do
envelhecimento facial. Pequenas alterações estruturais nessa região são suficientes para
transmitir cansaço, tristeza ou envelhecimento precoce, mesmo em pacientes jovens,
saudáveis e com bons hábitos de vida. Por isso, o preenchimento de olheiras não deve ser
encarado como um procedimento simples, mas como uma intervenção de alta
complexidade anatômica, biomecânica e estética.
Ao longo dos anos, compreendemos que as olheiras não representam uma condição única.
Elas são, na verdade, um conjunto de manifestações clínicas com etiologias distintas:
perda volumétrica, hiperpigmentação, transparência vascular, flacidez cutânea ou, mais
frequentemente, a combinação desses fatores. Ignorar essa multifatorialidade é um dos
principais motivos de resultados artificiais, edema persistente ou o temido aspecto
acinzentado na região.
Do ponto de vista estrutural, o envelhecimento da região infraorbital envolve reabsorção
óssea do rebordo orbitário, deslocamento e atrofia dos compartimentos adiposos
profundos, além do enfraquecimento dos ligamentos de sustentação. A pele, naturalmente
mais fina nessa área, torna-se ainda mais translúcida, favorecendo a visualização do
músculo orbicular e da vascularização subjacente. O resultado clínico é a perda de
transição suave entre pálpebra e face, um dos principais marcadores de envelhecimento
facial.
O ácido hialurônico, quando corretamente indicado, é uma ferramenta extremamente
sofisticada para a correção dessa transição. No entanto, sua escolha exige profundo
conhecimento das propriedades reológicas do produto: elasticidade (G’), coesividade,
capacidade de integração tecidual e comportamento hídrico. Produtos excessivamente
hidrofílicos ou com alto poder expansivo pode comprometer o resultado, levando a edema
crônico e irregularidades visíveis.
A técnica é tão importante quanto o produto. O plano de aplicação, geralmente profundo,
próximo ao periósteo, visa restaurar suporte estrutural e minimizar a visibilidade do
material. O controle volumétrico é absoluto: na região infraorbital, menos é sempre mais.
A busca não é “preencher a olheira”, mas reconstruir, de forma precisa, a arquitetura que
sustenta um olhar descansado e natural.
Outro ponto essencial é o tempo. O resultado do preenchimento de olheiras não deve ser
avaliado imediatamente após o procedimento. Existe um período fisiológico de
acomodação do material, interação com os tecidos e reorganização local, que pode se
estender por algumas semanas. A compreensão desse processo é fundamental tanto para
o profissional quanto para o paciente, evitando expectativas irreais e intervenções
desnecessárias.
Quando realizado com critério científico, planejamento individualizado e respeito
absoluto à anatomia, o preenchimento de olheiras não transforma o rosto, ele devolve
harmonia. O olhar permanece o mesmo, apenas livre do peso do cansaço que não
representa mais a história daquele paciente.
Na estética contemporânea, o verdadeiro luxo não está em mudar traços, mas em
preservar identidade. E poucas regiões exigem tanta precisão, responsabilidade e
maturidade clínica quanto a área dos olhos.
