Quem está em busca de uma oportunidade no mercado americano costuma dedicar muito
tempo preparando o currículo, atualizando o LinkedIn e estudando para as entrevistas. Mas
existe um momento importante que muitas vezes passa despercebido: a primeira ligação do
recrutador.
Ela costuma acontecer quando menos esperamos. Você está dirigindo, fazendo compras,
trabalhando ou resolvendo alguma tarefa do dia a dia e, de repente, o telefone toca. Do outro
lado da linha, alguém se apresenta como recrutador e diz que gostaria de conversar sobre uma
oportunidade.
Para muitos candidatos, esse momento gera ansiedade. O nervosismo aparece, as palavras
parecem desaparecer e surge a sensação de que é preciso responder tudo imediatamente.
Mas a primeira recomendação é simples: mantenha a calma.
Na maioria das vezes, essa ligação não é a entrevista final. Ela é um primeiro contato para
validar informações, entender seu interesse na oportunidade e verificar se faz sentido dar
continuidade ao processo seletivo.
Antes de responder qualquer pergunta, escute com atenção. Deixe o recrutador explicar o
motivo da ligação e anote as informações mais importantes.
Procure identificar alguns pontos essenciais da oportunidade. Entenda o nome do recrutador, a
empresa que ele representa, o título da posição e a localização da vaga. Pergunte também se
o trabalho é presencial, híbrido ou remoto e procure compreender, de forma geral, quais são as
principais responsabilidades da função. Outra informação importante é entender em que etapa
do processo seletivo aquela conversa acontece e quais serão os próximos passos.
Essas perguntas demonstram organização, interesse e profissionalismo. Além disso, ajudam
você a avaliar se a oportunidade está alinhada aos seus objetivos de carreira. Lembre-se de
que um processo seletivo também é um momento para o candidato conhecer melhor a
empresa e a posição.
Mas existe outro ponto que merece atenção: você não precisa conversar naquele exato
momento.
Se estiver dirigindo, em uma reunião, em um ambiente barulhento ou simplesmente sem
condições de dedicar a atenção necessária, seja transparente. Explique a situação com
educação e proponha um novo horário.
Uma resposta como esta costuma ser muito bem recebida:
“Muito obrigado pela ligação. Neste momento não consigo conversar com a atenção que essa
oportunidade merece. Você poderia, por gentileza, me enviar um e-mail com as informações da
vaga? Ficarei feliz em agendarmos um horário ainda hoje ou amanhã para conversarmos.”
Essa postura transmite maturidade e respeito pelo processo. É muito melhor remarcar a
conversa do que tentar responder às pressas e deixar uma impressão abaixo do seu
verdadeiro potencial.
Uma dica prática é manter sempre um bloco de notas — no celular ou em papel — para
registrar rapidamente o nome do recrutador, a empresa, a vaga e qualquer informação
relevante. Depois da ligação, pesquise sobre a organização, leia novamente a descrição da
posição e prepare-se para a próxima etapa.
No mercado americano, oportunidades podem surgir de forma inesperada. Muitas vezes, a
porta de entrada para uma nova carreira começa com uma simples ligação telefônica.
A diferença entre quem aproveita esse momento e quem deixa a oportunidade escapar
raramente está em conhecer todas as respostas. Ela está na capacidade de manter a calma,
ouvir com atenção, fazer as perguntas certas e conduzir a conversa com profissionalismo.
Porque, às vezes, a oportunidade que pode transformar sua carreira começa apenas com um
telefone tocando.
Carolina Melo Leitao
https://www.linkedin.com/in/carolinameloleitao/
carolina.leitao@ictcarreiras.com
@carolinaleitao.ict

Especialista em transição de carreira e desenvolvimento profissional, com uma trajetória construída entre Brasil e Estados Unidos. Com mais de duas décadas em Recursos Humanos, acompanho de perto o movimento das pessoas em busca de novos caminhos — algo profundamente humano e, ao mesmo tempo, cada vez mais global. Colunista da Florida Review na coluna de Carreira, também sou professora em cursos de especialização e consultora à frente do ICT (International Career Transition), onde apoio brasileiros a entender o mercado americano, construir oportunidades e encontrar direção em momentos de mudança. Acredito que clareza, estratégia e conexões transformam destinos.
