Em momentos de transição profissional, buscar informações e planejar são importantes. Mas algumas respostas sobre o futuro da carreira só aparecem quando deixamos o campo das ideias e começamos a experimentar novas possibilidades. Por Carolina Melo LeitãoCarreiras Sem Fronteiras #49Florida Review19 de outubro de 2026Editoria: Carreira | Desenvolvimento Profissional Existe uma tendência bastante humana de acreditar que precisamos compreender completamente uma situação antes de tomar uma decisão. Quando pensamos em mudanças profissionais, essa necessidade de clareza parece ainda maior. Queremos entender nossas competências, identificar oportunidades, avaliar riscos, conhecer o mercado e construir um plano suficientemente sólido para evitar erros. Afinal,…
Autor: Carolina Leitão
Recentemente, durante uma conversa com um profissional que acompanho, fizemos um exercício de avaliação do processo de outplacement. A pergunta parecia simples: quanto esse trabalho estava efetivamente contribuindo para a busca por uma nova oportunidade? Naturalmente, quando pensamos em outplacement, o primeiro resultado que vem à cabeça é a recolocação. Existe um profissional em transição, existe um mercado a ser explorado e existe o objetivo concreto de encontrar uma nova posição. Mas, à medida que nossa conversa avançava, ficou claro que havia muito mais acontecendo naquele processo do que simplesmente procurar o próximo emprego. Uma das primeiras coisas que ele…
Procurar emprego pode ser uma atividade bastante enganosa. É possível passar horas no LinkedIn, enviar dezenas de currículos, conversar com recrutadores, participar de entrevistas e terminar a semana com a sensação de que se trabalhou muito. E provavelmente se trabalhou. Mas movimento e progresso nem sempre são a mesma coisa. Essa é uma reflexão que tenho feito com frequência ao acompanhar profissionais em transição de carreira. Quando uma busca começa a se prolongar, a reação mais comum é aumentar o esforço. Se dez aplicações não trouxeram resultado, fazemos vinte. Se uma semana passou sem entrevistas, aumentamos o número de vagas.…
Quando pensamos em mudança de carreira, normalmente pensamos grande, algo com muitas ações, desenvolvimento, tarefas. Um novo emprego, uma nova empresa, outra indústria, uma mudança de cidade, talvez até uma profissão completamente diferente. E, junto com essas possibilidades, vem quase sempre a expectativa de que precisamos ter um plano: saber onde queremos chegar, quais passos teremos de dar e como será nossa vida profissional daqui a três ou cinco anos. Talvez esteja começando pelo lugar errado. Ao acompanhar profissionais em momentos de transição, percebo que algumas das mudanças mais importantes não começam com uma grande decisão. Elas começam com algo…
Durante muito tempo, crescer profissionalmente parecia estar diretamente relacionado à quantidade de respostas que uma pessoa tinha. Quanto mais experiente, mais se esperava que ela soubesse. O profissional sênior era aquele que dominava o assunto, conhecia o mercado e, diante de um problema, rapidamente apresentava uma solução. Mas talvez uma das mudanças mais importantes no mundo do trabalho esteja justamente na inversão dessa lógica: sair da mentalidade do “know-it-all” — aquele que sabe tudo — para o “learn-it-all” — aquele que está disposto a aprender sempre. E quanto mais trabalho com profissionais em diferentes momentos de carreira, mais percebo o…
Quando uma pessoa perde o emprego, uma das primeiras recomendações que recebe é atualizar o currículo e começar a procurar uma nova oportunidade. É uma orientação importante, mas que nem sempre considera tudo o que acabou de acontecer. Antes de se apresentar ao mercado, esse profissional pode estar tentando compreender uma decisão que não esperava, reorganizar sua vida financeira e lidar com a ausência de uma rotina que, durante anos, deu estrutura aos seus dias. Como uma profissional de outplacement, sempre estudando sobre o tema, encontrei uma expressão que me chamou a atenção: tanatologia laboral. O termo aparece em discussões…
Há alguns anos, quando falávamos sobre as competências necessárias para conquistar uma oportunidade profissional, era quase natural pensar primeiro em formação acadêmica, experiência, conhecimento técnico, idiomas ou domínio de determinadas ferramentas. Tudo isso continua sendo importante. Mas, acompanhando processos seletivos e conversando com profissionais e empresas, tenho percebido que algumas das características que mais pesam em uma contratação são justamente aquelas mais difíceis de colocar em um currículo. Curiosidade, energia, cumplicidade, capacidade de construir relações, senso de responsabilidade, iniciativa, flexibilidade e espírito empreendedor são alguns exemplos. E talvez o mais interessante seja perceber que essas competências não aparecem necessariamente em…
Existe uma pergunta que acompanha quase todo jovem durante a faculdade: “O que você quer fazer da vida?” É uma pergunta aparentemente simples, mas que pode carregar um peso enorme. Como se, aos 18, 20 ou 22 anos, já fosse necessário saber qual profissão seguir, em qual empresa trabalhar, qual cargo alcançar e onde estar daqui a dez anos. A realidade é que poucas carreiras acontecem dessa maneira. Quando observamos profissionais que hoje ocupam posições de liderança, empreendem, trabalham em grandes organizações ou simplesmente construíram trajetórias que admiramos, dificilmente encontramos uma linha reta. Existem mudanças de direção, oportunidades inesperadas, decisões…
Uma conversa neste final de semana me trouxe uma reflexão sobre carreira.Durante a conversa, ouvi de uma amiga uma explicação para o fato de não ter alcançado osucesso profissional que imaginava: ela não havia feito o curso de Engenharia que gostaria deter feito. A frase ficou comigo.Não porque a formação acadêmica não seja importante. Ela é. Existem profissões emque a formação técnica é, inclusive, condição para exercer aquela atividade. Medicina,Fisioterapia, Engenharia e tantas outras são exemplos claros disso.Mas será que podemos atribuir o sucesso — ou a falta dele — de uma carreira inteira aodiploma que escolhemos anos atrás?Principalmente quando…
Receber uma proposta de emprego costuma ser um momento de entusiasmo. Depois de entrevistas, conversas, expectativas e, muitas vezes, semanas ou meses de busca, finalmente chega o tão esperado “sim”. E é justamente nesse momento que o profissional precisa fazer algo que nem sempre é fácil: sair da posição de candidato e assumir a posição de quem também está escolhendo. Durante um processo seletivo, é natural concentrarmos grande parte da nossa energia em sermos escolhidos. Queremos demonstrar nossas competências, contar nossas experiências, causar uma boa impressão e mostrar que somos a pessoa certa para aquela posição. Mas existe uma mudança…
Quando pensamos na palavra “aposta”, normalmente pensamos em risco, incerteza e na possibilidade de ganhar ou perder. Mas, olhando para a nossa trajetória profissional, talvez estejamos fazendo apostas com muito mais frequência do que imaginamos. Aceitar um novo trabalho é uma aposta. Mudar de empresa é uma aposta. Trocar de área, começar uma carreira em outro país, aceitar uma posição diferente daquela que você ocupava anteriormente, investir em uma formação ou simplesmente decidir permanecer onde está também são apostas. A diferença é que, na carreira, não deveríamos apostar apenas na oportunidade. Precisamos aprender a apostar em nós mesmos. Ao longo…
Todos nós já vimos essa situação acontecer. Dois profissionais possuem formações semelhantes, passaram por empresas igualmente reconhecidas, lideraram equipes de tamanho parecido e acumulam décadas de experiência. Ainda assim, quando surge uma oportunidade estratégica, um deles recebe a ligação do recrutador, enquanto o outro continua esperando por uma resposta que nunca chega. A explicação mais comum costuma ser que um deles “teve mais sorte” ou “conhecia as pessoas certas”. Embora esses fatores possam influenciar, eles raramente explicam a decisão por completo. Existe um elemento muito mais poderoso — e frequentemente invisível — presente em praticamente todas as grandes decisões de…