Autor: Flavia Da Matta

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Flavia da Matta construiu sua carreira na comunicação, liderando produções de grande escala em empresas como a Sony Entertainment Television e nas principais redes de TV brasileiras. Após uma virada em sua saúde, redirecionou seu foco para o mundo interno. Hoje, como Mentora Terapêutica Comportamental, atua na intersecção entre clareza emocional, comunicação e dinâmica humana, ajudando indivíduos a transformar experiências internas em consciência e estrutura. Também é Diretora de Produção no TEDxMiami, onde lidera experiências de palestras e mentora em oratória e comunicação estratégica. Por meio do Método CLEAR™, promove organização interna para uma liderança mais intencional, relações mais saudáveis e transformação consistente.

Existe um momento curioso em quase todo conflito. Ele costuma acontecer muito antes de qualquer discussão. A outra pessoa ainda não respondeu à mensagem. Ainda não fechou a cara. Ainda não disse uma única palavra. Às vezes, nem imagina que está prestes a ocupar um papel importante na história que estamos escrevendo sobre ela. Porque é isso que fazemos. Diante de um vazio, raramente esperamos. Nós o preenchemos. Há algumas semanas uma amiga me ligou angustiada. Tinha mandado uma mensagem para outra amiga e, dois dias depois, ainda não havia recebido resposta. A princípio, aquilo lhe pareceu apenas estranho. No…

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Em algum momento da vida, quase sem perceber, a gente cria uma versão do que aconteceu. E, aos poucos, começa a repeti-la como se fosse a própria realidade. A demissão vira prova de injustiça. O fim de um relacionamento confirma a sensação de abandono. Uma situação qualquer reforça a ideia de que “isso sempre acontece comigo”. Com o tempo, essa história deixa de ser apenas uma lembrança. Ela vira referência. Depois, vira a lente através da qual você interpreta tudo o que acontece. E, sem perceber, acaba virando parte da sua identidade. Você já não está mais lembrando do que…

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Quando o passado continua ocupando cargos de liderança no presente. Há pessoas que contam a própria história da mesma forma que alguns países contam guerras antigas: com uma riqueza de detalhes impressionante, uma convicção inabalável sobre quem estava certo e quem estava errado e um investimento contínuo em garantir que o assunto jamais seja completamente encerrado. O curioso é que raramente estamos falando da guerra em si. Estamos falando das consequências. Décadas depois, o conflito continua participando das reuniões. Algumas pessoas falam de acontecimentos ocorridos há quinze ou vinte anos com a familiaridade de quem esteve lá ontem. Não porque…

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Existe uma forma de elegância que raramente aparece nas fotografias. Ela não pode ser comprada. Não pode ser herdada. E, curiosamente, costuma ficar mais visível à medida que o dinheiro, o status e a necessidade de impressionar diminuem. Talvez porque a verdadeira sofisticação não tenha relação com aquilo que possuímos. Mas com aquilo que deixamos de precisar provar. Nunca conheci uma pessoa verdadeiramente sofisticada que estivesse tentando impressionar alguém. Pelo contrário. As pessoas mais interessantes que encontrei ao longo da vida pareciam ocupar menos espaço do que poderiam. Havia nelas uma tranquilidade difícil de encontrar. Não precisavam transformar cada conversa…

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O território silencioso entre saber que algo mudou e entender o que fazer com isso. Na semana passada, escrevi sobre o momento em que um espaço fica pequeno. O trabalho é apenas um deles. Às vezes é uma rotina. Às vezes é uma cidade. Às vezes é uma versão de si mesmo. Reconhecer essa mudança costuma parecer um ponto de chegada. Raramente é. Na maioria das vezes, é apenas o começo de uma conversa muito mais desconfortável. Porque perceber que mudou não produz automaticamente clareza sobre o que fazer a seguir. Durante algum tempo, convivem duas versões da mesma pessoa.…

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O momento em que permanecer exige mais do que mudar. Algumas mudanças só se tornam visíveis muito tempo depois de terem acontecido. Há momentos em que a vida continua exatamente igual. E, ainda assim, já não parece a mesma. Nem sempre a mudança chega acompanhada de um acontecimento. Ela raramente anuncia sua chegada. Vai se acumulando em silêncio. Às vezes, se revela em detalhes. Assuntos que antes pareciam importantes e agora soam estranhamente distantes. Um projeto que consome mais energia do que interesse. Uma resposta que já não convence. Uma conquista que chega exatamente como planejado e produz menos satisfação…

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Existe uma ideia distorcida de autocuidado. A de que ele precisa ser profundo, transformador, quase um evento. Um banho longo, um retiro, um momento especial. Mas, na maior parte do tempo, autocuidado não é isso. É mais simples.E mais direto. “Hydrate, moisturize and go on with your life.” Porque autocuidado, no dia a dia, não é sobre parar tudo para se sentir melhor. É sobre não se abandonar no meio da rotina. E isso vai muito além do físico. É perceber quando você está tempo demais em ambientes que te drenam.Em conversas que não te acrescentam.Em dinâmicas familiares que ultrapassam…

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Não começa tentando organizar a sua vida. Começa por uma gaveta. Parece simples demais para funcionar.Mas não é. Quando tudo dentro de você está confuso — decisões, emoções, pendências — existe uma tendência de tentar resolver tudo ao mesmo tempo. E isso paralisa. Então você não organiza nada. Existe um outro caminho. Organizar o externo como forma de começar a organizar o interno. Não como solução final.Mas como ponto de entrada. Pesquisas do Princeton University Neuroscience Institute mostram que o excesso de estímulos visuais compete pela atenção do cérebro e reduz a capacidade de foco. Ou seja:a bagunça não é…

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Se você não consegue nem imaginar como seria uma vida melhor,como exatamente você pretende criá-la? Essa é uma das coisas que mais aparecem quando eu converso com clientes sobre criatividade. Principalmente quando a conversa sai do campo artísticoe entra na vida real. Muita gente sabe que quer mudar.Sabe que não quer mais estar onde está. Mas não consegue visualizar para onde ir. E sem imagem, não há direção.Sem direção, não há criação. Quando se fala em criatividade, ainda existe uma tendência de associar isso à arte.A um pintor, a uma obra, a algo estético. Mas, no dia a dia, criatividade…

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Em algum momento da vida, quase sem perceber, a gente constrói uma versão do que aconteceu e passa a repetir essa versão como se fosse a própria realidade. A demissão que vira prova de injustiça.O relacionamento que confirma abandono.A situação que reforça a ideia de que “isso sempre acontece comigo”. E, aos poucos, essa história deixa de ser só uma lembrança e vai virando referência.Depois, vira lente.E, em algum ponto, vira identidade. Você não está mais lembrando do que aconteceu.Você está contando a mesma história novamente pra justificar o que sente, o que faz e até o que evita fazer.…

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Como respostas automáticas moldam decisões, relações e a direção da sua vida Se falta clareza interna, as decisões deixam de ser escolhas e passam a ser respostas. Você responde uma mensagem sem pensar muito.Grava um áudio no impulso.Concorda com algo para evitar desconforto.Ou responde de forma mais direta do que gostaria e percebe isso só depois. Nada disso parece grande.Mas quase tudo isso é decisão. E, na maioria das vezes, não é uma decisão consciente.É reação. Quando rapidez deixa de ser precisão Durante muito tempo, rapidez foi associada a eficiência. Mas existe um ponto em que a rapidez deixa de…

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O que permanece confuso quando não entendemos como funcionamos por dentro Se a percepção distorce o que acontece fora, a falta de precisão distorce o que acontece dentro. “Estou ansioso.”“Estou sobrecarregado.”“Estou estranho.” Tendemos a usar palavras amplas para experiências complexas.E esse é um dos grandes pontos cegos da vida emocional adulta. Essas palavras parecem explicar, mas não explicam. Apenas agrupam. Funcionam como rótulos rápidos para estados internos que, na verdade, têm origens muito diferentes. Dentro de “ansioso” pode existir medo de errar. Pressão acumulada. Excesso de responsabilidade. Uma decisão evitada há tempo demais. Dentro de “sobrecarregado” pode existir falta de…

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