A Copa do Mundo de 2026 já tem uma das suas histórias mais improváveis — e inspiradoras. Aos 40 anos, o goleiro cabo-verdiano Vozinha tornou-se um fenômeno global após liderar o histórico empate sem gols entre Cabo Verde e Espanha, na estreia da seleção africana em Mundiais.
Eleito o melhor jogador da partida pela FIFA, Vozinha foi o grande responsável por segurar o ataque espanhol com uma sequência de defesas decisivas. Mas o impacto de sua atuação ultrapassou os gramados. Em menos de 24 horas, o goleiro viu suas redes sociais explodirem, saltando de cerca de 50 mil seguidores para milhões de fãs ao redor do mundo.
O que mais chamou a atenção foi o carinho vindo do Brasil. Surpreso com a repercussão, o goleiro agradeceu o apoio dos brasileiros após a partida.
“Eu tinha quase 50 mil seguidores. Isso é louco. Muito obrigado. Sempre sentimos o carinho dos brasileiros e agora estamos sentindo isso no maior palco do mundo”, afirmou.
Por trás do apelido carismático está Josimar José Évora Dias, um dos jogadores mais experientes desta Copa. O nome Josimar é uma homenagem ao ex-lateral da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1986, escolhido pelo pai do goleiro, fã do futebol brasileiro.
A conexão com o Brasil vai além do nome. Crescendo em Cabo Verde, país de língua portuguesa, Vozinha acompanhou novelas brasileiras, ouviu música brasileira e teve como ídolos nomes como Rogério Ceni, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho.
O apelido “Vozinha” surgiu ainda na infância. Criado pelos avós, ele costumava reclamar das derrotas nas partidas de rua, e os amigos brincavam dizendo que iria contar tudo para os avós. O apelido pegou e, anos depois, acabou se tornando sua identidade no futebol profissional.
Com passagens por clubes de Cabo Verde, Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal, Vozinha construiu uma carreira sólida até alcançar o maior momento de sua trajetória. Para um país com pouco mais de 500 mil habitantes, o empate diante da Espanha representou muito mais do que um ponto na tabela: foi um marco histórico.
Após o apito final, o goleiro resumiu o sentimento de uma nação inteira:
“Sonhei toda a minha vida com este momento. Enfrentamos uma das melhores seleções do mundo e conseguimos um empate. Estamos muito felizes.”
Em uma Copa repleta de estrelas, foi um veterano de Cabo Verde quem protagonizou uma das histórias mais emocionantes do torneio até agora.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
