Recentemente me deparei com uma vaga que continha uma instrução curiosa na descrição:
“Se você utilizar ChatGPT, Claude ou qualquer outra ferramenta de IA para criar ou melhorar
sua candidatura, mencione ‘Mr. Pineapple Express’ em algum momento do currículo, carta de
apresentação ou comunicação.”
À primeira vista, pode parecer apenas uma brincadeira. Mas existe uma reflexão muito mais
profunda por trás disso. A mensagem deixa claro que algumas empresas já estão tentando
identificar quem está utilizando inteligência Artificial de forma automática e indiscriminada
durante o processo seletivo.
E isso nos leva a uma pergunta importante:
Estamos usando a IA como ferramenta ou estamos permitindo que ela substitua
completamente nossa capacidade de pensar, analisar e nos posicionar profissionalmente?
Como consultora de carreira, utilizo Inteligência Artificial diariamente, não nego, pois ela auxilia
a a organizar informações; estruturar ideias; acelerar pesquisas. Seria incoerente ignorar o
enorme ganho de produtividade que essas ferramentas proporcionam.
O problema não está na utilização da IA, mas sim o problema surge quando o profissional
entrega para a tecnologia algo que deveria ser exclusivamente seu: história; trajetória;
posicionamento; e ate mesmo autenticidade.
Nos últimos meses tenho observado algo interessante. Muitos currículos passaram a ter
exatamente a mesma estrutura, os mesmos verbos de ação, as mesmas expressões e até os
mesmos argumentos. Aparecem repetidamente, e não porque todos os profissionais são iguais,
mas sim porque muitos estão utilizando os mesmos prompts e aceitando as respostas sem
questionamento. Com isso os documentos tecnicamente corretos, mas sem personalidade.
Apesar de toda a evolução tecnológica, a decisão final de contratação ainda é, na maioria dos
casos, tomada por pessoas, que são especializadas no processo e que percebem as nuances.
Quando a candidatura é construída 100% por IA, frequentemente surgem inconsistências,
como por exemplo o currículo parece extraordinário, mas durante a entrevista o candidato não
consegue explicar determinados projetos, resultados ou competências descritas no próprio
documento. E isso gera um problema de credibilidade.
A Inteligência Artificial pode ajudar você a escrever melhor, mas ela não viveu sua trajetória,
não participou dos desafios que você superou, não conhece os bastidores das decisões que
moldaram sua carreira, e por isso, os melhores resultados acontecem quando existe uma
parceria entre o IA e ser humano.
Talvez a discussão não seja sobre quem utiliza IA ou quem não utiliza, mas sim se estamos
usando a tecnologia para potencializar a inteligência humana. Os profissionais que aprenderem
a combinar pensamento crítico, experiência prática e Inteligência Artificial provavelmente terão
uma enorme vantagem competitiva nos próximos anos.
Porque, no final, as empresas continuam contratando pessoas e não prompts.
Carolina Melo Leitao
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carolina.leitao@ictcarreiras.com
@carolinaleitao.ict

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