Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta • PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review Magazine (Miami)
Durante muitos anos, a indústria cosmética concentrou seus esforços em desenvolver formulações com concentrações cada vez maiores de ativos. A lógica parecia simples: quanto mais ativo, maior seria o resultado clínico. Entretanto, os avanços da biotecnologia, da nanotecnologia e da fisiologia cutânea demonstraram que essa relação nem sempre é verdadeira.
Hoje sabemos que o maior desafio da cosmetologia não é apenas formular moléculas biologicamente ativas, mas garantir que elas permaneçam estáveis, atravessem a barreira cutânea e alcancem o compartimento da pele onde realmente precisam exercer sua função.
Em outras palavras, não basta possuir um excelente ativo. É preciso entregá-lo no local correto.
A pele foi desenvolvida para impedir a entrada de substâncias externas. O estrato córneo, camada mais superficial da epiderme, representa uma barreira altamente organizada composta por corneócitos envolvidos por uma matriz lipídica extremamente eficiente. Essa arquitetura limita significativamente a penetração de moléculas hidrossolúveis, instáveis ou de elevado peso molecular.
Por esse motivo, uma parcela importante dos ingredientes aplicados topicamente permanece retida na superfície cutânea, sendo removida durante a higienização ou degradada antes mesmo de atingir seu alvo biológico.
Esse entendimento transformou completamente o desenvolvimento cosmético.
Atualmente, a eficácia de uma formulação depende menos da quantidade de ativo e muito mais da tecnologia responsável por sua entrega.
É nesse cenário que surgem os sistemas nanoestruturados, desenvolvidos para proteger moléculas sensíveis da oxidação, modular sua liberação ao longo do tempo, aumentar sua estabilidade físico-química e favorecer sua interação com regiões específicas da pele.
Mais recentemente, a cosmetologia passou a incorporar estratégias inspiradas na medicina de precisão. Em vez de promover uma distribuição aleatória dos ingredientes, novas plataformas são capazes de direcionar ativos para células ou tecidos específicos, aumentando sua eficiência biológica e reduzindo perdas durante o percurso.
Esse conceito, conhecido internacionalmente como targeted delivery, representa uma das maiores evoluções da cosmetologia moderna.
Os peptídeos biomiméticos ilustram muito bem essa mudança de paradigma. Diferentemente dos ativos convencionais, essas pequenas sequências de aminoácidos atuam como moléculas sinalizadoras, capazes de modular processos celulares relacionados à síntese de colágeno, reparo tecidual, comunicação entre células, resposta inflamatória e equilíbrio da matriz extracelular. Entretanto, para que exerçam todo esse potencial, precisam chegar íntegros ao microambiente cutâneo onde seus receptores estão presentes.
Sem um sistema eficiente de proteção e direcionamento, parte significativa desses peptídeos pode sofrer degradação antes mesmo de alcançar seu local de ação.
É exatamente nesse ponto que a nanotecnologia deixa de ser apenas um diferencial tecnológico e passa a exercer um papel decisivo na performance clínica dos cosméticos.
Algumas empresas brasileiras já incorporam esse conceito ao desenvolvimento de suas formulações. Um exemplo é a Fonju Cosméticos, que vem investindo em plataformas nanoestruturadas associadas a peptídeos biomiméticos para potencializar a biodisponibilidade dos ativos e otimizar sua interação com a pele.
Entre os destaques da marca está a utilização da Tecnologia Drone, um sistema inteligente de direcionamento que busca transportar moléculas bioativas de forma mais específica até regiões-alvo do tecido cutâneo. Diferentemente da simples encapsulação, essa estratégia procura reduzir perdas durante o percurso e aumentar a disponibilidade do ativo exatamente onde ele deve exercer sua atividade biológica.
Na prática clínica, isso significa maior aproveitamento da formulação, melhor estabilidade dos ingredientes e uma resposta terapêutica potencialmente mais eficiente, sempre respeitando as características fisiológicas da pele.
Outro aspecto relevante é a associação dessa tecnologia com peptídeos de diferentes mecanismos de ação. Dependendo da formulação, esses peptídeos podem atuar estimulando proteínas estruturais, favorecendo processos regenerativos, modulando mediadores inflamatórios ou contribuindo para a manutenção da homeostase cutânea. Quando aliados a sistemas inteligentes de entrega, aumentam as possibilidades de interação com seus receptores celulares e ampliam seu potencial biológico.
Essa mudança de perspectiva também modifica a forma como profissionais e consumidores devem avaliar um cosmético.
Em vez de perguntar apenas “qual é o ativo?”, torna-se cada vez mais importante questionar “como esse ativo chega até seu local de ação?”.
A resposta para essa pergunta pode explicar por que formulações contendo ingredientes semelhantes apresentam desempenhos completamente diferentes na prática clínica.
A cosmetologia vive uma transição importante. O protagonismo deixa de ser exclusivamente do ingrediente e passa a ser compartilhado com a engenharia de sistemas carreadores, com a nanotecnologia e com a biotecnologia aplicada.
O futuro dos cosméticos não será definido apenas por moléculas mais potentes, mas por plataformas cada vez mais inteligentes, capazes de proteger, direcionar e liberar ativos exatamente onde a pele necessita.

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