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Opinião

Irmão é tudo igual, só muda o endereço

Por Gabriela Streb gabistreb@brturbo.com.br
Gabriela Streb

Por Gabriela Streb

advgabrielastreb@gmail.com

Quem tem irmão, vai se identificar comigo. Irmão é um misto de ódio, em determinado momento, e amor compulsivo em outro. Irmão é o sujeito que quando você é criança briga muito, mas defende com unhas e dentes, se alguém se atreve a brigar com ele.

As histórias de crianças me trazem lembranças muito legais e, por isso, constantemente falo sobre isso. Na minha época, (odiava, quando minha mãe começava com uma frase com esta assertiva), mas hoje eu assumi a expressão.

Pois. Na minha época, tínhamos tarefas domésticas. Levar lixo, recolher e dobrar a roupa e lavar e secar a louça. Nossa mãe trabalhava e, em certos dias, eu tinha que lavar e meu irmão secar. Só não tinha a determinação de quem guardava.

Para mim, fazia parte da tarefa do secador. Para meu irmão, fazia parte do serviço da lavadora, no caso: eu.

Um dia, indignada por sempre ceder, deixei toda a louça sobre o balcão. Confusão armada, solucionada com as duas orelhas puxadas. Uma minha e a outra do meu irmão.

Mãe, que puxa orelha, tem uma técnica própria para isso e tu tens a sensação de como uma bailarina fica com sapatilhas de ponta. Naquele momento, houve a expedição de um decreto-lei maternal: “Um dia é tu e, no outro, é teu irmão.”

Tenho uma amiga que contou que o irmão dela deixava a louça no escorredor e ela ficava jogando água de 15 em 15 minutos, só para ele ter que secar.

Noutra oportunidade, meu irmão fez um arco e flecha. Trabalhou, durante semanas, na ponta da flecha, e claro que precisava de alguém para experimentar. No caso: eu. “Mana senta no muro, que vou acertar bem ao lado do teu joelho.”

Claro que não deu certo, ou melhor, deu super certo, porque acertou o meu joelho, que era apenas a base para o alvo. Lembro que saltei do muro, com a tal flecha pendurada no meu joelho e ele gritando: “acertei! Acertei!” Aquele dia foi bem mais que um puxão de orelhas, bem feito para ele.

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Brother is all the same, just change the address

By Gabriela Streb

advgabrielastreb@gmail.com

Whoever has a brother will identify with me. Brother is a mixture of hatred at one point and obsessive love at another. Brother is the guy who, when you are a child, fights a lot but defends with tooth and nail if someone dares to fight with him.

Children’s stories bring me cool memories, and that’s why I regularly talk about it. Back in the old days (I hated it when my mother started with a sentence with this statement), I assumed the expression.

So, back in the old days, we had household chores. Take garbage, collect and fold the laundry and wash and dry the dishes. Our mother worked and, on certain days, I had to pass and my brother to dry. I just didn’t have the determination of who kept it.

For me, it was part of the dryer’s job. For my brother, it was part of the washer service, in this case: me.

One day, dissatisfied at always giving in, I left all the dishes on the counter. Armed confusion, resolved with both ears pulled—one of mine and the other of my brother.

Mother, who pulls ear, has her technique for that, and you have the feeling of how a ballerina looks with pointe shoes. At that moment, a maternal decree-law was issued: “One day it is you and the next, it is your brother.”

I have a friend who said that her brother left the dishes in the drying rack, and she kept pouring water every 15 minutes so that he had to dry.

On another occasion, my brother made a bow and arrow. He worked for weeks on the arrowhead, and of course, he needed someone to experiment with. In this case: me. “Mana sits on the wall, which I will hit right next to your knee.”

Of course, it didn’t work, or better, it worked super well because it hit my knee, which was just the target’s base. I remember I jumped off the wall, with that arrow hanging from my knee, and he shouted: “I got it right! I got it!” That day was much more than a tug of an ear. Well done for him.

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