Por Dra. Mônica Martellet
Farmacêutica Esteta
PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-Graduação em Estética Clínica
Colunista da Florida Review Magazine – Miami, EUA
Existe um momento na vida de muitas mulheres em que o envelhecimento parece mudar de velocidade. A pele fica mais fina, mais seca, perde luminosidade e elasticidade, as linhas tornam-se mais evidentes e o contorno facial parece já não responder da mesma maneira aos cuidados que funcionavam alguns anos antes. Nem sempre essa percepção é apenas consequência da passagem do tempo. Existe um componente biológico importante por trás dessa mudança: a transição hormonal que acompanha a menopausa.
Durante muito tempo, o envelhecimento da pele foi explicado principalmente pela combinação entre idade cronológica, exposição solar, genética e hábitos de vida. Hoje sabemos que, na mulher, existe outro elemento que merece atenção especial: o estrogênio que participa ativamente da manutenção da estrutura e da função cutânea.
A pele é, de fato, um tecido responsivo aos hormônios. Receptores estrogênicos estão presentes em diferentes células e estruturas cutâneas, permitindo que esses hormônios participem de processos relacionados à proliferação celular, hidratação, síntese de componentes da matriz extracelular e manutenção das propriedades biomecânicas do tecido. Quando ocorre a redução dos níveis estrogênicos na transição menopausal, parte desse suporte biológico também diminui.
O fibroblasto também sente a menopausa. Para entender essa relação, precisamos falar do fibroblasto. Essa célula dérmica é uma das principais responsáveis pela produção e organização de componentes da matriz extracelular, incluindo colágeno, elastina e outras moléculas fundamentais para sustentação e qualidade da pele.
O estrogênio influencia a atividade dos fibroblastos e o metabolismo da matriz extracelular. Com sua redução, ocorre uma mudança no equilíbrio entre síntese e degradação desses componentes. Clinicamente, isso pode se manifestar como diminuição da espessura dérmica, perda progressiva de elasticidade, maior evidência de rugas e redução da capacidade de sustentação da pele.
Por isso, falar em envelhecimento feminino sem considerar o contexto hormonal pode ser uma simplificação excessiva. Não se trata apenas de produzir menos colágeno. Trata-se de uma alteração do ambiente biológico no qual esse colágeno é produzido, organizado, remodelado e degradado.
Outro efeito bastante percebido durante essa fase é a mudança na hidratação. O estrogênio está relacionado à manutenção de componentes envolvidos na retenção de água e na qualidade da matriz extracelular, incluindo o ácido hialurônico. Sua redução pode contribuir para menor hidratação, alterações da função de barreira e aumento da sensação de ressecamento. A pele pode tornar-se menos viçosa, menos resistente e mais suscetível às agressões externas.
O cosmético que parecia suficiente aos 35 anos talvez não responda da mesma maneira aos 50. Da mesma forma, o planejamento estético realizado anteriormente pode precisar ser revisto, porque o tecido sobre o qual estamos trabalhando já apresenta características fisiológicas diferentes.
Existe ainda outro ponto fundamental. Envelhecimento facial não acontece exclusivamente na pele. A face é formada por diferentes camadas e estruturas que envelhecem simultaneamente, embora em velocidades diferentes: pele, tecido adiposo, músculos, ligamentos e esqueleto facial. Alterações em cada um desses níveis contribuem para modificações de contorno, projeção e sustentação.
O próprio esqueleto facial sofre remodelamento ao longo da vida adulta. Uma revisão publicada em 2026 destaca mudanças regionais envolvendo estruturas como órbitas, maxila e mandíbula, demonstrando que a aparência de uma face envelhecida não pode ser explicada apenas pela flacidez cutânea.
Isso muda completamente a maneira como deveríamos pensar o rejuvenescimento. Quando uma mulher percebe perda de contorno facial, aprofundamento de sulcos ou maior flacidez depois dos 40 ou 50 anos, simplesmente adicionar volume a todas essas regiões pode não responder à verdadeira origem do problema.
A estética da mulher madura precisa ser diferente. Esse conhecimento nos leva a um conceito que considero fundamental na estética contemporânea: mulheres de diferentes fases da vida não deveriam receber exatamente o mesmo planejamento.
A mulher na perimenopausa ou menopausa pode apresentar uma combinação particular de alterações de hidratação, espessura dérmica, elasticidade, matriz extracelular e estruturas profundas. Por isso, o objetivo não deveria ser simplesmente apagar rugas ou preencher regiões que perderam volume. O raciocínio precisa ser global.
Toxina botulínica, preenchedores, bioestimuladores de colágeno, tecnologias baseadas em energia, procedimentos destinados à qualidade cutânea e uma estratégia cosmética adequada podem ocupar espaços diferentes dentro de um mesmo planejamento. A questão não é escolher qual procedimento é “o melhor”, mas compreender qual alteração estamos tentando tratar e qual recurso possui indicação para aquela estrutura.
Essa diferença parece pequena, mas separa a execução de procedimentos isolados de um verdadeiro gerenciamento do envelhecimento facial. Durante décadas perguntamos: “O que podemos fazer para parecer mais jovens?” Talvez, para a mulher madura, uma pergunta mais interessante seja: “O que mudou biologicamente neste rosto e como podemos tratar essas mudanças de maneira inteligente?”
A diferença entre essas duas perguntas é enorme. Uma procura um procedimento. A outra procura um diagnóstico estético e um planejamento.
Compreender a menopausa como parte do envelhecimento facial não significa patologizar uma fase natural da vida, muito menos estabelecer que toda mulher terá as mesmas alterações. Significa reconhecer que hormônios, idade, genética, exposição solar, estilo de vida e características individuais interagem continuamente na determinação da qualidade e da arquitetura facial.
A menopausa não muda apenas a idade da pele. Ela modifica o ambiente biológico no qual essa pele precisa se manter, reparar e responder aos tratamentos. E compreender esse ambiente pode ser uma das chaves para um envelhecimento facial mais saudável, natural e bem conduzido.
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