Estudo aponta Miami como a cidade americana mais bem posicionada para transformar o entusiasmo gerado pela Copa do Mundo em uma relação duradoura com o futebol.
A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas, em Miami, o interesse pelo futebol parece longe de ter chegado ao fim. Um novo estudo publicado pelo Betway Insider colocou Miami em primeiro lugar entre as cidades americanas com os sinais mais fortes de crescimento e consolidação da cultura do futebol no pós-Copa.
O levantamento buscou entender se a empolgação provocada pelo maior torneio de futebol do planeta poderia permanecer depois do apito final. Para isso, combinou uma pesquisa nacional com 1.201 adultos nos Estados Unidos e um índice que avaliou 20 áreas metropolitanas americanas. Foram considerados três indicadores ajustados à população: interesse por buscas relacionadas à Copa do Mundo, volume de conversas sobre o torneio e quantidade de clubes e organizações de futebol existentes em cada cidade.
E, entre grandes mercados como Atlanta, Nova York, Los Angeles e Boston, foi Miami que apareceu no topo.
Miami ocupa o primeiro lugar nos Estados Unidos
No ranking elaborado pelo estudo, Miami alcançou 98,58 pontos, a maior pontuação entre as 20 cidades americanas analisadas. Na sequência aparecem Atlanta, com 90,41 pontos; Nova York, com 86,37; Los Angeles, com 85,40; e Boston, com 82,11.
O desempenho de Miami foi impulsionado principalmente pelo maior interesse em buscas relacionadas à Copa do Mundo per capita entre todas as cidades avaliadas, além de um forte volume de conversas sobre o torneio. O próprio estudo relaciona o resultado ao papel histórico de Miami como uma ponte cultural entre os Estados Unidos e a América Latina, onde o futebol ocupa uma posição central na cultura esportiva.
Essa característica ajuda a explicar por que o impacto da Copa encontra em Miami um terreno especialmente favorável.
Aqui, o futebol não começou em 2026. A cidade já reunia comunidades latino-americanas e internacionais profundamente conectadas ao esporte. A Copa, portanto, não precisou criar essa relação do zero: ela ampliou uma cultura que já estava presente.
O efeito Messi também pesa
O estudo também destaca um elemento impossível de ignorar quando se fala sobre a transformação recente do futebol em Miami: Lionel Messi.
Além da dimensão internacional do torneio, Miami possui uma conexão direta com um dos maiores nomes da história do esporte por meio do Inter Miami. Segundo o relatório, o desempenho de Messi pela Argentina durante a Copa provavelmente teve um papel importante na intensidade do interesse registrado na região.
Nos últimos anos, a presença do argentino já havia elevado a exposição internacional do futebol praticado no sul da Flórida. Com a Copa do Mundo acontecendo nos Estados Unidos, essa combinação colocou Miami em uma posição particular: ao mesmo tempo em que acompanhava o maior evento esportivo do planeta, a cidade tinha uma ligação cotidiana com uma de suas maiores estrelas.
O resultado ajuda a reforçar a percepção de Miami não apenas como uma cidade que acompanha futebol, mas como um mercado cada vez mais relevante dentro do esporte.
A Copa pode ter conquistado novos torcedores americanos
O fenômeno observado em Miami faz parte de uma mudança mais ampla nos Estados Unidos.
Quando os participantes da pesquisa foram questionados se estavam mais propensos a assistir futebol regularmente depois da Copa do Mundo, 38% dos americanos responderam que sim. Outros 8% afirmaram que já acompanhavam o esporte regularmente.
Isso significa que 46% da amostra se identifica agora como parte de uma audiência já estabelecida ou potencialmente convertida em espectadora regular de futebol.
Os números são especialmente relevantes em um país no qual o futebol historicamente disputa atenção com gigantes como NFL, NBA e MLB.
Mas o estudo mostra também que essa transformação não ocorreu da mesma maneira em todo o território americano. É justamente por isso que o resultado de Miami chama atenção: enquanto algumas regiões registram principalmente uma mudança de percepção, a cidade combina interesse digital, conversas sobre futebol e uma estrutura esportiva capaz de ajudar a sustentar essa audiência.
Mais do que uma febre passageira
Um dos pontos importantes da metodologia é que o ranking não considera apenas o entusiasmo momentâneo provocado pela Copa.
O índice foi construído justamente para tentar identificar lugares onde existem condições para que esse interesse continue. Além das buscas e conversas relacionadas ao Mundial, o levantamento considerou o número de clubes e organizações de futebol ativos em cada mercado.
Isso muda a leitura do resultado.
Miami liderar o ranking não significa simplesmente que seus moradores pesquisaram muito sobre a Copa durante algumas semanas. O estudo sugere que existe uma combinação de atenção, participação e infraestrutura que pode favorecer uma relação mais duradoura com o esporte.
É a diferença entre uma cidade que viveu intensamente um grande evento e uma cidade que pode incorporar parte dessa energia à sua própria identidade.
Miami pode estar entrando em uma nova fase esportiva
Durante décadas, Miami construiu uma identidade esportiva associada a diferentes modalidades e grandes franquias profissionais. O futebol, porém, vem ocupando um espaço cada vez maior nessa paisagem.
A Copa do Mundo acrescentou uma nova camada a esse processo.
O fato de Miami aparecer à frente de mercados enormes como Nova York e Los Angeles indica a intensidade com que o torneio repercutiu localmente. Atlanta ficou em segundo lugar no ranking, seguida por Nova York, Los Angeles e Boston, mostrando que a disputa para se tornar um dos principais centros do futebol americano está espalhada por diferentes regiões do país.
Miami, porém, parte da primeira posição.
E talvez esse seja o principal legado revelado pelo estudo: a Copa terminou, mas o futebol não foi embora com ela.
Em uma cidade internacional, fortemente conectada à América Latina e que já vinha vivendo uma transformação de sua relação com o esporte, o Mundial pode ter funcionado menos como um acontecimento isolado e mais como um acelerador.
Se os novos espectadores continuarem acompanhando partidas, frequentando jogos e incorporando o futebol à rotina esportiva da cidade, Miami poderá confirmar algo que os números já começam a indicar: ela está se consolidando como uma das novas capitais do futebol nos Estados Unidos.
Fonte: Betway Insider — “North America’s Post-World Cup Soccer Hotbeds: How The World Cup has affected attitudes towards soccer in the U.S. and Canada”, publicado em 12 de agosto de 2026. O levantamento utiliza dados atualizados até 11 de agosto de 2026.

A Florida Review é mais do que uma revista, é uma entidade cultural com mais de quatro décadas de história, fundada por Chico Moura e fortalecida sob a liderança de Rodrigo Lisboa Soares. Desde o final dos anos 1980, expandiu seu impacto dentro e fora dos Estados Unidos, consolidando-se como referência editorial e ponte entre culturas. A Florida Review serve hoje a mais de um milhão de brasileiros ao redor do mundo, promovendo informação responsável, pensamento crítico e iniciativas filantrópicas que valorizam a identidade e a diversidade brasileira. Guiada por um compromisso inegociável com a verdade, livre de viés ou partidarismo, nossa missão é oferecer conteúdo relevante, atual e consciente que informa, conecta e inspira. Não somos apenas uma publicação digital: somos um patrimônio vivo da comunidade brasileira no exterior.
