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Opinião

O triste retorno

Por Gabriela Streb gabistreb@brturbo.com.br
Gabriela Streb

Por Gabriela Streb

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Primeiro veio o susto. Ficar em casa era uma questão de saúde, pois a pandemia estava batendo a porta e ficar trancada era o remédio. Depois, veio o isolamento não tão radical, afinal, eram necessárias algumas saídas.

Hoje, a máscara é item igual a usar roupa íntima. Não sair, sem ela e álcool gel, em todos as bolsas, carro e trabalho.

A festiva ideia de que, ao ficar em casa, poderia fazer tudo aquilo que faço na rua não é tão absoluta assim. Então, o período de cantarolar, fazer aula de zumba, passou. Problema que a volta de todas as pessoas vai ser duríssima, além de muito triste.

O reinventar das pessoas não será festivo, pois o desemprego atinge a todos. Uma empresária comentou que, em abril, faturou a metade do que o ano passado, sendo sacoleira de roupas e pretendia continuar assim.

Reinventar, no caso dela, é bem importante, só que ela tem duas funcionárias, que, por vez, têm família e filhos, mas vão ficar desempregadas.

O retorno vai ser cruel e demorado. Quem, no próximo mês, vai comprar sapato, bota, vestido ou óculos de sol? Vai fazer uma viagem? Irá ao teatro ou cinema. Antes da pandemia, o cinema, com dois ingressos e um pote de pipoca, custava não menos do que R$ 60. Alguém vai se atrever a gastar isso? Por mais que eu entenda que o comércio deva abrir e vai lá quem quer, não sei se vai sobrar alguém para consumir.

Quando viajamos e encontramos turistas, logo percebemos quem são os alemães, porque se vestem muito esquisito, tipo sandália e meia, com cantil e um farnel. Em especial pessoas mais velhas. Não existe povo mais calejado em termos de reconstrução. Por isso, para eles, deixa de ser importante a roupa ou o melhor restaurante. Já aprenderam com a escassez da guerra, o quanto de valor é necessário de conservar e preservar aquilo que ainda se tem. Acredito que essa nova postura vai ser batizada de consciência.

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The sad return

First came the scare. Staying at home was a health issue, as the pandemic was slamming the door, and being locked was the remedy. Then came the not-so-radical isolation, after all, some exits were needed.

Today, the mask is the same item as wearing underwear. Do not go out, without it and alcohol gel, in all bags, car, and work.

The festive idea that, while staying at home, I could do everything I do on the street is not so absolute. Then the period of humming, taking a Zumba class, passed. The problem that the return of all people will be very hard, besides very sad.

Reinventing people will not be festive, as unemployment affects everyone. A businesswoman commented that, in April, she earned half of what last year, being a bag of clothes and intended to continue like this.

Reinventing, in her case, is very important, only that she has two employees, who, at a time, have family and children, but will be unemployed.

The return will be cruel and time-consuming. Who will buy shoes, boots, dresses or sunglasses next month? Going on a trip? You will go to the theater or cinema. Before the pandemic, the cinema, with two tickets and a jar of popcorn, cost no less than R $ 60. Will anyone dare to spend this? As much as I understand that commerce should open and whoever wants to go there, I don’t know if there will be anyone left to consume.

When we travel and meet tourists, we soon realize who the Germans are, because they dress very funny, like sandals and socks, with flask and a farnel. Especially older people. There are no more hardened people in terms of reconstruction. Therefore, for them, clothing or the best restaurant is no longer important. They have already learned from the scarcity of war, how much value is needed to conserve and preserve what is still left. I believe that this new posture will be called conscience.

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