Por Dra. Mônica Cerutti Martellet
Farmacêutica Esteta • PhD em Biotecnologia em Saúde
CEO da Clínica Dra. Mônica Martellet Estética Avançada
Professora Universitária e Coordenadora de Pós-Graduação
Colunista da Florida Review Magazine – Miami
Enquanto milhões de torcedores se preparam para acompanhar a abertura da Copa nos Estados Unidos, uma preocupação importante costuma passar despercebida em meio à empolgação dos jogos, das festas, dos estádios lotados e das transmissões ao ar livre: a exposição excessiva à radiação ultravioleta.
Durante grandes eventos esportivos, é comum que as pessoas permaneçam várias horas sob o sol, muitas vezes sem a proteção adequada. O resultado vai muito além de uma simples queimadura solar. A exposição repetida e acumulativa à radiação UV está diretamente associada ao envelhecimento precoce da pele, aparecimento de manchas, perda de colágeno, imunossupressão cutânea e aumento do risco de câncer de pele.
Nos Estados Unidos, onde muitos jogos acontecem em períodos de elevada incidência solar, especialmente durante o verão, os cuidados com a pele devem fazer parte do planejamento do torcedor da mesma forma que a compra do ingresso ou da camisa do time.
Do ponto de vista biológico, a radiação ultravioleta desencadeia uma cascata de eventos inflamatórios dentro da pele. O excesso de exposição leva à formação de espécies reativas de oxigênio, conhecidas como radicais livres, que danificam proteínas estruturais fundamentais, como colágeno e elastina. Esse processo acelera o envelhecimento cutâneo, favorecendo rugas, flacidez e alterações de pigmentação.
Além disso, pessoas predispostas ao melasma ou à hiperpigmentação pós-inflamatória podem apresentar piora significativa do quadro após longos períodos sob o sol. Isso ocorre porque a radiação ultravioleta, a luz visível e até mesmo o calor gerado pela exposição ambiental estimulam mecanismos celulares que aumentam a produção de melanina.
Outro fator frequentemente negligenciado é a desidratação. Durante eventos esportivos, a combinação entre calor, consumo de bebidas alcoólicas e baixa ingestão hídrica pode comprometer não apenas o desempenho físico, mas também a saúde da pele. Uma pele desidratada apresenta redução da função de barreira cutânea, maior sensibilidade e aspecto envelhecido.
Para quem pretende acompanhar os jogos presencialmente, algumas medidas são fundamentais:
– Utilizar filtro solar de amplo espectro com FPS mínimo de 50;
– Reaplicar o produto a cada duas horas ou após transpiração excessiva;
– Priorizar bonés, chapéus e óculos com proteção UV;
– Manter hidratação adequada ao longo do dia;
– Utilizar antioxidantes tópicos, como vitamina C, que auxiliam na neutralização dos radicais livres induzidos pela radiação solar;
– Pessoas com melasma devem reforçar a fotoproteção com filtros físicos contendo pigmento, capazes de proteger também contra a luz visível.
A boa notícia é que a ciência tem avançado significativamente no desenvolvimento de estratégias de fotoproteção. Hoje sabemos que proteger a pele não é apenas uma questão estética. Trata-se de uma medida de saúde, prevenção e longevidade.
Nesta Copa, enquanto os atletas disputam cada lance dentro de campo, vale lembrar que existe outra competição acontecendo silenciosamente: a batalha diária entre a sua pele e os efeitos cumulativos da radiação solar.
E nessa disputa, a prevenção continua sendo o melhor resultado possível.
