Ícone da música country, cantora de “Jolene” e “I Will Always Love You” construiu uma carreira de seis décadas marcada pela música, pelo cinema e pela filantropia.
Dolly Parton, uma das artistas mais reconhecidas e influentes da música americana, morreu nesta terça-feira, 25 de agosto, aos 80 anos. A morte da cantora, compositora, atriz e empresária foi anunciada por sua família. Até o momento, a causa do falecimento não foi divulgada.
Nascida em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, Dolly Rebecca Parton cresceu em uma família de poucos recursos, sendo uma entre 12 irmãos. A origem humilde se tornaria parte fundamental de sua identidade artística e apareceria diversas vezes nas histórias contadas por meio de suas músicas.
De Tennessee para o mundo
A trajetória profissional de Dolly começou ainda na infância, mas foi a partir dos anos 1960 que seu nome ganhou projeção nacional. Ao longo das décadas seguintes, ela se transformou em uma das maiores representantes da música country e, ao mesmo tempo, em uma artista capaz de ultrapassar as fronteiras do gênero.
Canções como “Jolene”, “9 to 5”, “Coat of Many Colors” e “I Will Always Love You” tornaram-se clássicos da música americana. Como compositora, Dolly escreveu milhares de músicas durante sua carreira, deixando um catálogo que continuou sendo reinterpretado por diferentes gerações de artistas.
“I Will Always Love You”, escrita e originalmente gravada por Dolly em 1974, alcançou uma nova dimensão mundial em 1992 na voz de Whitney Houston. Décadas depois, “Jolene” também continuaria atravessando gerações, recebendo novas interpretações de grandes nomes da música.
Ao longo de sua carreira, Dolly vendeu mais de 100 milhões de discos e conquistou 11 prêmios Grammy, além de inúmeras outras honrarias. Em 1999, entrou para o Country Music Hall of Fame e, em 2022, foi incluída no Rock & Roll Hall of Fame.
Muito além da música
O alcance de Dolly Parton nunca ficou restrito aos palcos. No cinema, participou de produções que se tornaram parte da cultura popular americana, entre elas “9 to 5” e “Steel Magnolias”.
Ela também construiu uma importante trajetória empresarial. Em 1986, passou a integrar o projeto que transformaria o parque temático Dollywood, no Tennessee, em uma das principais atrações turísticas da região.
Mas uma das partes mais importantes de seu legado aconteceu longe dos holofotes.
Em 1995, Dolly criou a Imagination Library, iniciativa dedicada a distribuir gratuitamente livros para crianças. Inspirado pela dificuldade de seu pai com a leitura e a escrita, o programa cresceu internacionalmente e passou a entregar milhões de livros todos os meses.
Sua atuação filantrópica também incluiu apoio à educação, bolsas de estudo, auxílio a comunidades atingidas por incêndios e desastres e uma doação de US$ 1 milhão para pesquisas que contribuíram para o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19.
Um período de perdas e cuidados com a saúde
Os últimos anos da vida de Dolly foram marcados por mudanças pessoais importantes. Em março de 2025, morreu Carl Dean, seu marido por quase seis décadas.
Em 2026, a cantora falou publicamente sobre a necessidade de cuidar de sua saúde e de seu bem-estar emocional após a perda do companheiro. Alguns compromissos profissionais também foram alterados enquanto ela passava por tratamentos médicos.
Mesmo assim, Dolly permaneceu envolvida em novos projetos. Apenas seis dias antes de sua morte, seu site oficial anunciou que a artista havia recebido 82 novas certificações de vendas em 14 países, mais um reflexo da dimensão internacional de uma carreira construída ao longo de décadas.
Um legado difícil de medir
Dolly Parton deixa uma obra que vai muito além dos números.
De uma infância simples nas montanhas do Tennessee a uma carreira que a transformou em um dos rostos mais conhecidos da cultura americana, ela conseguiu ocupar simultaneamente espaços na música country, no pop, no cinema, nos negócios e na filantropia.
Sua imagem extravagante e seu humor característico fizeram parte de uma personalidade pública imediatamente reconhecível. Mas foram principalmente suas composições — frequentemente construídas a partir de histórias sobre amor, perda, família, trabalho e origem — que fizeram sua música permanecer relevante por mais de seis décadas.
Aos 80 anos, Dolly Parton deixa não apenas algumas das canções mais conhecidas da música americana, mas também uma influência que atravessou estilos, países e gerações.
E talvez seja justamente essa capacidade de permanecer presente na vida de pessoas tão diferentes que melhor explique a dimensão de seu legado.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
