A primeira corrida da Fórmula 1 no novo circuito de Madri terminou com vitória de Kimi Antonelli, enquanto Lando Norris viu uma possível conquista escapar após uma intervenção do Virtual Safety Car. O fim de semana também colocou o traçado do Madring no centro das discussões entre pilotos e equipes.
A Fórmula 1 viveu um fim de semana histórico na Espanha. Entre os dias 11 e 13 de setembro, Madri recebeu o Grande Prêmio da Espanha de 2026 e marcou a estreia oficial do Madring, novo circuito construído na capital espanhola.
Foi o retorno da Fórmula 1 a Madri depois de mais de quatro décadas. A última corrida da categoria na região havia acontecido em Jarama, em 1981. Desta vez, o cenário foi completamente diferente: um circuito moderno que combina trechos urbanos com setores construídos especificamente para a competição.
A expectativa em torno da estreia era grande, principalmente porque pilotos e equipes tinham poucas referências sobre o comportamento dos carros no novo traçado. Logo nos primeiros treinos, ficou evidente que o Madring seria um desafio. Tráfego, limites estreitos e diferentes características de aderência exigiram rápida adaptação das equipes.
Na sexta-feira, George Russell colocou a Mercedes na frente no primeiro treino livre, seguido pelo companheiro Kimi Antonelli. Charles Leclerc, Lewis Hamilton e Max Verstappen completaram os cinco primeiros.
Norris conquista a primeira pole do Madring
A classificação de sábado trouxe uma das disputas mais apertadas do fim de semana.
Lando Norris garantiu a primeira pole position da história do Madri com uma volta de 1min31s824. O piloto da McLaren superou Antonelli por apenas 0,011 segundo. Max Verstappen ficou em terceiro, seguido por Lewis Hamilton e Charles Leclerc.
O resultado colocou Norris em posição privilegiada para entrar para a história como o primeiro vencedor da Fórmula 1 no novo circuito espanhol.
E, durante boa parte da corrida de domingo, parecia exatamente isso que aconteceria.
Virtual Safety Car muda a corrida
Norris largou bem e conseguiu controlar a prova nas primeiras fases, chegando a construir uma vantagem confortável na liderança.
A dinâmica da corrida, porém, mudou com a entrada do Virtual Safety Car (VSC) após um problema no carro de Lance Stroll.
O momento da neutralização favoreceu alguns dos principais adversários de Norris, que conseguiram realizar seus pit stops em condições mais vantajosas. O britânico já havia passado pela entrada dos boxes quando o VSC foi acionado e não conseguiu aproveitar a mesma oportunidade.
Quando finalmente fez sua parada, Norris ainda enfrentou um pit stop mais lento e perdeu posições importantes.
Quem aproveitou a situação foi Kimi Antonelli.
O italiano da Mercedes assumiu a liderança e administrou a parte final da corrida para conquistar a vitória no primeiro Grande Prêmio disputado no Madring.
Max Verstappen terminou em segundo lugar, enquanto Norris conseguiu recuperar posições e cruzou a linha de chegada em terceiro. Charles Leclerc terminou em quarto e George Russell completou o top 5.
Antonelli amplia liderança do campeonato
A vitória teve peso ainda maior para Antonelli na disputa pelo título.
Foi a oitava vitória do italiano na temporada de 2026, ampliando sua vantagem na liderança do Mundial de Pilotos. Após 14 etapas, Antonelli abriu 81 pontos sobre seu companheiro George Russell.
A Mercedes também deixou Madri em posição confortável entre os construtores, chegando a 503 pontos, contra 358 da Ferrari e 306 da McLaren.
Para Norris, entretanto, o resultado deixou a sensação de uma vitória perdida.
Após a prova, o atual campeão mundial questionou o funcionamento do Virtual Safety Car e defendeu uma discussão sobre mudanças nas regras para evitar que o momento de uma neutralização produza vantagens tão diferentes entre os pilotos.
O Madring passa no primeiro teste?
Além do resultado, outro protagonista do fim de semana foi o próprio circuito.
Antes mesmo da corrida, o Madring já havia provocado opiniões divididas. O traçado estreito e rápido, com poucas margens para erros em determinados setores, foi apontado como um dos desafios mais complexos da temporada.
Depois da corrida, as críticas ganharam outro foco: as dificuldades para ultrapassar.
Norris foi um dos pilotos que questionaram partes do desenho do circuito, especialmente as curvas 18 e 19. Apesar das críticas, o britânico afirmou enxergar potencial no Madring caso algumas mudanças sejam realizadas.
A primeira edição mostrou justamente esse contraste. Madri conseguiu criar um evento de grande visibilidade e colocar a Fórmula 1 novamente no centro de uma das principais capitais europeias, mas a qualidade das disputas dentro da pista deverá continuar sendo analisada.
Um novo capítulo da Fórmula 1 na Espanha
Independentemente das discussões técnicas, o fim de semana já entrou para a história da categoria.
Madri voltou ao calendário da Fórmula 1 após 45 anos, o Madring recebeu sua primeira corrida e Kimi Antonelli tornou-se o primeiro piloto a vencer no novo circuito.
Para a Mercedes, foi mais um passo importante em direção aos títulos de 2026. Para Norris e a McLaren, ficou a frustração por uma oportunidade que desapareceu em questão de segundos.
E para o Madring, a estreia deixa uma pergunta que provavelmente acompanhará a Fórmula 1 até sua próxima visita à capital espanhola: o novo circuito precisa apenas de tempo para amadurecer ou de mudanças para entregar corridas melhores?
A temporada segue agora para o Grande Prêmio do Azerbaijão, programado para o fim de semana de 26 de setembro.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
