Cantora e compositora apresentou seu repertório no Miami Beach Bandshell e conquistou o público, que pediu bis ao final da noite
MIAMI BEACH, FL — A música brasileira tomou o palco do Miami Beach Bandshell na noite de sábado, 12 de setembro, com o show da cantora e compositora Mari Froes, que trouxe ao público de Miami sua voz marcante e uma sonoridade que já circula por plateias fora do Brasil.
O show faz parte da primeira turnê de Mari Froes pelos Estados Unidos e Canadá, marco na fase internacional da carreira da artista, que tem levado seu repertório a novos mercados e públicos.
Natural de Goiânia, Goiás, Mari Froes viralizou nas redes sociais ainda aos 17 anos, ao compartilhar vídeos com composições próprias que lhe renderam centenas de milhares de seguidores e milhões de visualizações. Lançou seus primeiros singles, “Moça” e “Rosa e Laranja”, em 2019, e desde então construiu uma carreira marcada por lançamentos como o EP Nebulosa, parcerias com Rodrigo Alarcon e seu primeiro álbum ao vivo, Mariana Froes no Estúdio Showlivre, de 2023. Mais recentemente, uniu forças com o grupo francês de música eletrônica Trinix, que assinou uma versão da faixa “Figa”, além de lançar sua própria releitura de “Gabriela”, canção popularizada por Jorge Ben Jor em 1964.
O esquenta com João Brasil
Antes de Mari subir ao palco, o DJ e produtor João Brasil esquentou a noite com um set que funcionou como uma viagem pela música brasileira. A seleção passeou por gerações e estilos — de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Martinho da Vila a Jorge Ben Jor, Seu Jorge, Rogê e nomes mais atuais como João Gomes —, transitando entre MPB, samba, samba-rock e outras sonoridades da identidade musical do país. Foi essa ponte entre diferentes momentos da música nacional que deixou o público no clima para a atração principal.
E foi nesse clima de brasilidade que Mari Froes chegou ao palco.
Uma voz que ocupa o espaço
A cantora abriu com “Mania”, seguida por “Dezenove Verões” e “Moça”. Ao longo da noite, o repertório revelou diferentes lados de sua identidade artística, alternando momentos intimistas com canções que arrancaram resposta calorosa da plateia — caso de “Reza Brava”, “Fogueira” e “Espelho”, um dos pontos altos da apresentação.
Na sequência vieram “Rio Lua”, “Garoa”, “Coco Caramelo”, “Eu”, “Gabriela” e “Figa de Guiné”, num repertório que evidencia a diversidade de referências do seu trabalho.
O show parecia ter chegado ao fim com “Vaitimbora”. Mas o público não estava pronto para dizer adeus.
“Mais uma!”
Depois que Mari deixou o palco, a plateia pediu mais — e pediu alto. A cantora voltou para o bis e encerrou a noite com “Baiana”, num momento que deixou clara a conexão construída com o público ao longo do show.
Em Miami, Mari Froes mostrou a força de uma nova geração de artistas brasileiros capazes de dialogar com públicos diferentes sem abrir mão da própria identidade. No Miami Beach Bandshell, sua música encontrou um cenário internacional — e uma plateia disposta a ouvir, cantar e, no final, pedir mais uma.
E Miami respondeu: mais uma vez.

Franciele Becuzzi escreve sobre música, cultura e tudo o que transforma o dia a dia em experiência — de shows e eventos a séries e descobertas pela cidade. Em Miami, acompanha de perto o que movimenta a cena cultural, com um olhar leve, curioso e atento aos detalhes. Eclética por essência, transita entre diferentes universos e linguagens, compartilhando experiências, referências e dicas que inspiram o leitor a explorar, assistir e viver mais.
