Atacante de 19 anos vive expectativa de ganhar mais minutos no mata-mata após boa atuação na virada sobre o Japão
A poucos dias do confronto mais importante do Brasil na Copa do Mundo até aqui, Endrick mostrou que ansiedade não faz parte do seu vocabulário. Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (2), no hotel que serve de base para a seleção em Nova Jersey, o atacante de 19 anos foi questionado se dormiria no sábado pensando na possibilidade de ser protagonista no dia seguinte — e respondeu com a naturalidade de quem parece estar em paz com o próprio momento.
“Acho que vou dormir como um bebê”, disse, arrancando risos dos jornalistas presentes. “Antes de dormir, o mais importante é o que eu faço: fazer a minha oração, conversar com Deus, ficar tranquilo de que as coisas vão acontecer tudo no momento certo.”
A fé, aliás, foi o fio condutor de toda a resposta do jovem. Endrick fez questão de reforçar que não enxerga a Copa do Mundo como palco para feitos individuais. “Eu não vim aqui para viver o extraordinário. Eu vim aqui para mostrar quem é o Endrick e quem está do lado dele, que é a minha família e que é Deus”, afirmou. E completou, projetando um possível gol no Mundial: “Espero que vocês olhem e falem para mim que não foi somente eu, foi eu juntamente com Deus e com aquilo que Ele colocou dentro de mim.”
Espaço em disputa
A tranquilidade do atacante contrasta com a expectativa crescente em torno do seu nome. Contra o Japão, na vitória por 2 a 1 que garantiu o Brasil nas oitavas de final, Endrick entrou no intervalo no lugar de Lucas Paquetá, que deixou o campo lesionado, e teve participação elogiada. “Ele fez um jogo muito bom, estava intenso e era perigoso”, avaliou o técnico Carlo Ancelotti após a partida.
Com a lesão na coxa esquerda que tirou Paquetá do restante da caminhada contra a Noruega, abriu-se uma vaga no time — e o nome de Endrick aparece entre os candidatos a ocupá-la, ao lado de opções como Gabriel Martinelli, autor do gol da classificação, e Neymar. A decisão final ficará com Ancelotti, que ao longo do torneio tem administrado com cautela a utilização do jovem.
O desafio norueguês
Brasil e Noruega se enfrentam neste domingo (5), às 16h (horário da Flórida), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com vaga nas quartas de final em jogo. O duelo carrega um tabu curioso: as duas seleções se encontraram apenas uma vez em Copas do Mundo, na fase de grupos de 1998, quando os noruegueses venceram por 2 a 1 — o que faz da Noruega uma das poucas seleções que o Brasil nunca venceu em Mundiais.
Liderados pelo artilheiro Erling Haaland, que marcou o gol da vitória sobre a Costa do Marfim nos minutos finais, os noruegueses chegam embalados e prometem dificultar a vida da seleção pentacampeã. Do lado brasileiro, a boa notícia é o retorno de Raphinha às atividades com o grupo, com chance de aparecer entre os titulares após se recuperar de lesão.
Se depender de Endrick, o Brasil entra em campo com um jogador em paz — e pronto para o que vier. “Espero que, se Deus quiser, eu possa entrar, fazer alguma coisa pela minha seleção e fazer um gol”, resumiu.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
Com passagem por coberturas de arte, design, eventos esportivos e experiências locais, Dani desenvolveu um olhar atento aos detalhes e uma linguagem acessível, capaz de traduzir grandes acontecimentos em narrativas próximas e relevantes. Entre bastidores e tendências, seu foco está em contar histórias que criam pertencimento, ampliam repertório e fortalecem pontes entre Miami e o público brasileiro.
