Nesta sexta-feira (4), o julgamento de Lindsay Clancy, a ex-enfermeira acusada de matar os três filhos pequenos em Duxbury, Massachusetts, terminou sem veredito. O juiz William Sullivan declarou a anulação do julgamento (mistrial) depois que os jurados afirmaram, pela terceira vez, não conseguir chegar a uma decisão unânime.
O júri, formado por nove mulheres e três homens, deliberou por cerca de 38 horas ao longo de sete dias. De acordo com bilhetes enviados ao juiz, o grupo estava dividido 11 a 1 — mas a lei de Massachusetts exige unanimidade para qualquer veredito, seja de condenação, absolvição ou absolvição por insanidade.
A última tentativa da defesa
Pouco antes da anulação formal, o advogado de Clancy, Kevin Reddington, tentou uma manobra de última hora: pediu à Suprema Corte Judicial de Massachusetts (SJC) que interviesse para remover o jurado isolado — o único voto divergente. Segundo um bilhete enviado pelo porta-voz do júri, esse jurado havia reconhecido ter dúvida razoável sobre o caso, mas estaria se recusando a aplicá-la ao veredito, como a lei exige. Na prática, isso significava que ele estava inclinado a votar pela condenação mesmo admitindo não ter certeza plena — o oposto dos outros 11 jurados, que a defesa acreditava estarem inclinados a favor de Clancy.
O juiz Sullivan, porém, discordou da leitura de Reddington, afirmando que o bilhete não indicava que o jurado estivesse se recusando a seguir a lei. Em vez de removê-lo, optou por apenas reforçar as instruções sobre dúvida razoável a todo o júri, lembrando que toda pessoa é presumida inocente até que se prove o contrário e que o ônus da prova cabe à promotoria.
A juíza da SJC, Dalila Argaez Wendlandt, realizou uma audiência de emergência por videochamada e negou o pedido da defesa. Com isso, o juiz Sullivan trouxe o júri de volta à sala e declarou oficialmente a anulação do julgamento.
O que acontece agora
Uma anulação por júri travado não significa absolvição nem condenação — o processo simplesmente não chega a uma conclusão. Cabe agora à promotoria decidir se vai reabrir o caso com um novo júri. Se optar pela repetição do julgamento, todo o processo de seleção de jurados recomeça do zero.
Enquanto isso, Clancy permanece internada em um hospital psiquiátrico, sob a acusação de assassinato em primeiro grau pelas mortes de Cora, 5 anos, Dawson, 3 anos, e Callan, de apenas 8 meses, ocorridas em 2023. Uma audiência de status sobre os próximos passos do caso já foi marcada para 29 de setembro.
O advogado de defesa também sinalizou que pretende entrar, nos próximos dias, com um pedido de decisão direta de inocência — um recurso pelo qual o juiz pode encerrar o caso caso entenda que a promotoria não apresentou provas suficientes para sustentar a acusação.
O caso, que chocou o país pela gravidade dos fatos e reacendeu o debate sobre saúde mental materna e psicose pós-parto, segue, portanto, sem desfecho — e deve voltar aos tribunais em breve.

Dani Silverio é comunicadora e profissional de marketing, movida pela paixão por cultura, esporte e lifestyle como ferramentas de conexão. Seu trabalho une curadoria, storytelling e sensibilidade editorial para aproximar a comunidade brasileira da cena vibrante da cidade.
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