Texto da Kiki Garavaglia
Quando pensamos em esquiar, logo pensamos em Gstaad, Saint Moritz, Megève ou Courchevel, lugares “chiques e carérrimos”. Íamos muito com amigos “ricos” para Gstaad antigamente, que na época, esquiar era pouco tempo, o pretexto era o “après ski”, drinks ou chocolate quente com os amigos e, jantares nos chalés deles… Mas tanto na França como na Suíça, esquiar é esporte popular! Quando as filhas cresceram descobrimos “Le Féclaz”, na Savoia francesa que oferecia todos os esportes na neve! E, por um terço do que pagávamos nos outros lugares!!
Le Féclaz é formada por quilômetros e mais quilômetros de pistas, umas 150, de vários graus de dificuldade. O mais gostoso é ir passeando usando “raquetes” que não deixam afundar na neve… Após uma “certa idade”, seja criança ou idoso, é o ideal! Mais sensato optar por esse tipo de modalidade a correr o risco de se quebrar toda ou torcer o tornozelo! São campos de neve sem fim! É um super-exercício! Para esquis de descida, é possível encontrar duas pistas excelentes…
Para chegar em La Féclaz, se pega o trem “TGV” na estação de Lyon em Paris, e em 3 horas nos deixa na estação de Chambery. Ali, um táxi nos esperava para subirmos uma montanha sinuosa até La Féclaz. Como fomos com as filhas, optamos por alugar um chalé! Era do maior charme, todo de madeira, no hotel “Les Chalets du Berger”. Tudo muito simples, mas com o maior bom gosto. Estávamos tão perto das pistas que era possível sair do chalé já com os esquis nos pés!
Assim que chegamos, logo seguimos para o escritório de turismo: compramos “passes” para usar nas pistas e matriculamos as filhas na escola de esquis. Já tínhamos as roupas e as botas! Depois fomos num supermercado e viemos puxando as compras num trenó! Genial!!
A cidade era pequena, não deve ter aumentado muito, mas tinha bons restaurantes, alguns bem simpáticos como o “Le Caribou” e o “Planté de Fourchette”. Claro, todos servem as especialidades locais como “raclettes, fondues, e tartiflette”.
Para quem viveu o “glamour” de Gstaad, a sofisticação faz um pouco de falta… Mas se o objetivo é esquiar, La Féclaz tem tudo; além de esquiar, passeios de trenós puxados por enormes cavalos “Percheron”, caminhadas noturnas de “raquetes” nos pés… E o melhor, fica apenas 3 horas de Paris para se chegar nessa imensidão deslumbrante branca!

Meu nome é Maria Christina Nascimento Silva Garavaglia… mas, desde que nasci, me chamam de Kiki, e assim fiquei conhecida mundo afora, pois passei minha vida viajando… A primeira língua que aprendi foi o espanhol, pois meu pai foi enviado para a Argentina e ficamos em Rosário por 2 anos. Israel foi fundado em 1948, e lá fomos nós abrir o primeiro Consulado Brasileiro em Tel Aviv, em 1952. Aprendi a falar o hebraico e o árabe! Minha babá era palestina, como a maioria das pessoas lá naquela época. De 1955 até 1958, moramos em Roma e me tornei totalmente italiana… até competi pela Itália em competições de natação! Finalmente, fomos morar durante um ano no Rio de Janeiro. Me tornei uma “moleca” de rua, andando de bicicleta, de patins, com os amigos do bairro de Botafogo, onde morávamos — na maior farra. Em seguida, fomos morar em Londres, e as “alegrias” se foram… Fui para um colégio interno em Sevenoaks, onde só se podia falar após o almoço e, após o jantar, por meia hora. Costume esse de todas as inglesas na época… Um pesadelo com o meu temperamento! Voltamos a morar no Rio em 1966 e, um dia, na praia, conheci Renato. Após 6 meses namorando, me dei conta de que seria meu companheiro para o resto da vida!
Os anos passaram, meus pais morando em Viena. Já tinha duas filhas e passávamos as férias com eles na deslumbrante Embaixada do Brasil em Viena. Aproveitei para conhecer o Leste Europeus.
Após uns anos, Renato odiando aeroportos, resolvi sair viajando pelo Sudeste siático, indo encontrar amigos que moravam em Bali… Lá pelos anos 70, resolvemos levar as filhas à Disney e ficar uns dias em Miami Beach. Me apaixonei por Miami Beach e nunca mais deixei de ir ao menos duas vezes por ano…
